A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita
Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará
Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento
A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada
Sofhia de Mello Breyner Andresen
2 comentários:
Minha querida Carlota,
O poema é muito bonito, mas... tem muita coisa que se com ele te identificas, discordo em absoluto !
Sem detalhar em demasia:
1. Se há coisa que em ti não é nua, é o teu pensamento !!! Antes é bem vestido, composto, requintado, charmoso, elegante, denso ! Desnudo é que não, de todo !!!
2. A hora da tua morte, NÃO aflora, tá ? Nem lentamente, nem depressa !!! E não fala disso, tá ??? (ai o pénis !!!...).
Beijoquinha fofa, tá ???...
Meu querido
Não estou deprimida, tá?
Fui ler poemas desta senhora, pois foi dela um dos últimos poemas que os meus primos leram juntos (elogio fúnebre da Mª José Morgado ao marido, que me enviaste)..
Tem poemas lindos...só isso.
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