sexta-feira, 13 de junho de 2008

Editorial Diário Noticias

A avaliação que Scolari não aceitou


António Tadeia
jornalista


Ainda Portugal festejava o apuramento para os quartos-de- -final do Europeu e já a euforia era substituída pela consternação devido ao anúncio, feito pelo Chelsea, de que Luiz Felipe Scolari ia ser o treinador do clube a partir de 1 de Julho. Pode discutir-se o momento, concordar até que, não valendo o último jogo da fase de grupos para nada, esta é a altura ideal para ser feito o anúncio, por deixar tempo de digestão antes do jogo verdadeiramente importante, que é o dos quartos-de-final, que Portugal jogará apenas na próxima quinta-feira, em Basileia. Mas é indiscutível que o caso pode provocar algum abalo na equipa e que muito melhor do que ter sido feita anteontem era a revelação ter antecedido a entrada da equipa no Europeu ou, sobretudo, esperar pela sua saída de prova, com ou sem glória. E só não o foi devido à política de instabilidade propositada, de equilíbrio no fio da navalha, que Gilberto Madaíl segue desde 1996: a de meter o seleccionador à prova em cada fase final, avançando só nessa altura para a renovação. Se calhar por isso mesmo o presidente da FPF foi o último a saber que, em vez de viajar para Lisboa, tinha de ficar na Suíça a controlar danos antes de iniciar a procura de um novo seleccionador.

Em 1996, numa guerra de nervos em que ninguém queria dar parte de fraco, foi durante o Europeu que se soube que António Oliveira ia deixar a selecção para ser treinador do FC Porto. Entrou Artur Jorge e falhou. Substituiu-o Humberto Coelho, que em 2000 foi mantido em suspense até ao fim da prova, nem as meias-finais lhe valendo a renovação - Madaíl optou então por fazer regressar Oliveira, na única vez que assinou um contrato de longa duração, já a pensar no Europeu de 2004. Contudo, o comportamento futebolístico e social da equipa em Macau e na Coreia ditaram a substituição de Oliveira por Scolari. Este chegou em 2003 e em todas as fases finais esteve com um pé fora: em 2004 ia para o Benfica, mas acabou por renovar até 2006; em 2006 ia para a selecção inglesa, mas voltou a renovar; desta vez não esperou e assinou mesmo pelo Chelsea, deixando Madaíl apeado. Madaíl foi surpreendido anteontem, pelo menos, pelo momento do anúncio da separação. Se o foi também pelo divórcio é mais ingénuo do que ele próprio gosta que se pense. É que bastava ter lido as mais recentes entrevistas de Scolari, com particular relevo para as declarações acerca da demissão que esteve preparada para o rescaldo do Portugal-Sérvia e da agressão a Dragutinovic, para perceber que, desta vez, o brasileiro não ia suportar ser mais uma vez posto à prova, avaliado com um campeonato em curso.

Nesta situação, o que fazer? Renovar ou não? Ambas as situações eram válidas, desde que trabalhadas antes do Campeonato da Europa. O trabalho de Scolari à frente da selecção não precisa do Europeu para ser globalmente excelente, mas a selecção também não definhará só porque ele vai sair. Na pior das hipóteses pode fazê-lo porque a substituição está a ser prejudicada pela necessidade de ser feita à pressa. Em 2002, quando decidiu rescindir com Oliveira, a FPF precisou de seis meses para ter a trabalhar um seleccionador de top, com reconhecimento internacional ao nível do dos seus futebolistas. Faltam menos de três meses para a estreia na qualificação para o Mundial 2010, em Malta.

Justiça

Ainda continuamos com o tema dos "camionistas"... sim, que o Jorge Nuno é mais parecido com os camionistas que vi durante toda esta semana, que com um "digno" dirigente futebolistico.

Hoje é dia do conselho de justiça da UEFA "confirmar" a decisão anterior sobre o castigo do FCP. Tenho visto muita politiquice neste caso e espero que as influências "gilbertianas" não venham a alterar a decisão anterior. Quero acreditar na justiça, mas tenho consciência que a mesma é muitas vezes influênciada pelos "erros" humanos. Quando é que inventam juízes robots??? É que esses só poderão ser manipulados pelo seu programador e não por "estados de alma" ou "interesses monetários"...

Sei que o FCP ainda poserá recorrer para o "supremo" mas quero acreditar que a decisão de hoje será mais um passo na justiça desportiva.

Vamos esperar para ver....

Alemanha

Continuamos com o tema da atualidade... não! não são os camionistas, que esses não merecem que se gaste tempo com eles. Estou a falar de FUTEBOL.

Já toda a gente fazia a festa que estavamos em 1º do Grupo e que isso era óptimo pois não iriamos encontrar uma das seleções favoritas, a Alemanha, mas a Croácia ontem quis passar-nos uma rasteira.

Não me esqueço do Europeu de 2000, onde vi o meu único jogo da seleção portuguesa fora de portas. Foi em Roterdão contra a Alemanha. O estádio estava esgotado e metade da assistência era "tuga". A Alemanhã foi eliminada para a fase final com uma vitória lusitana de 3-0. Os 3 golos foram marcados pelo Sérgio Conceição.

Não esqueço a festa no final do jogo bem como a sua continuação em Amestardão durante toda a noite. Havia mais bandeiras, chapéus e cascóis "tugas" que alemães. Os holandeses dirigiam-se a nós e saudavam-nos como que se tivessemos ganho a 3ª guerra mundial. Só aí me apercebi das feridas ainda mal cicatrizadas que as anterioras guerras mundiais tinham deixado entre esses dois povos...

Voltemos ao tema da bola!!! Os jornais desta manhã dizem que a Croácia nos meteu na rota da Alemanhã... Eu acho que o interesse do futebol é os resultados nunca serem previsíveis (por isso é que há o totobola. Isto para dizer que se calhar ainda vamos jogar com a Polónia ou com a anfitriã austriaca.

Temos que estar preparados para qualquer uma das restantes 15 equipas que estão nesta fase final. Se somos candidatos a campeões, temos que os "comer a todos".
Espero só que estas "guerrlhas" sclorarianas não estejam a afectar a moral dos nossos guerreiros...

Vamos pois continuar a lutar por deixar de ser os eternos VICE-CAMPEÕES para passarmos aos VERDADEIROS CAMPEÕES!!

Boa sorte Scolari!!! (até ao final de Junho. Depois logo se vê...)