quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Discurso de ódio?...

Na, não me parece... talvez um discurso contundente, como foram contundentes os teus comentários aos comentários deles... secalhar, quando falas em Cascais e piscinas e capitalismo, tudo no mesmo texto ela se sinta pessoalmente atingida ... e ainda bem! que quem não sente, não é filho de boa gente!
Confuso? talvez o último parágrafo... mas (tendenciosismos àparte) compreendi-a muito bem... e aplaudo, sim, concordo com os pontos de vista dela, vários, mas sobretudo aquele que diz que o acordar para esta triste realidade do nosso mundo está no consciencializar da sociedade para isso mesmo; e econsciencializar todos: pobres e ricos.
Não sou capitalista (infelizmente), porque trabalho (pouco) para ter o que tenho.GOSTO de ter dinheiro porque me traz conforto e segurança em muito aspectos que SÓ o dinheiro pode trazer;
Como sou muio ignorante nestas coisas de política, fui ver ao diccionário a definição correcta de "anarquia", acho que também sou um bocadinho... também contesto as coisas, comento, reclamo, constato e por aí fora, não me manifesto nas ruas porque não gosto muito de esforços físicos, mas se me mostrarem alguma reenvidicação com a qual eu concorde e que achem que precisa do meu aval, eu avalizo! sem medo! porque SEI que toda a liberdade de expressão (e não só, evidentemente) de que usufruo, a devo a outros que por esses valores sacrificarm muito, alguns até a Vida... e eu valorizo muito a vida...

O que é a felicidade para mim?... os momentos (raros)em que, na minha inércia (abundante) eu me sinto bem comigo e com o mundo. Esta é a minha definição de felicidade. E os momentos são raros, porque é muito complicado ser-se remotamente feliz, ainda que a nível pessoal a vida nos corra bem, quando olhamos à volta e constatamos a tragédia alheia.
É difícil, quando se trabalha muito (diz quem sabe) e obstáculos nos surgem pelo caminho e reclamamos porque tudo nos corre mal... não estamos a conseguir... e olhamos e verificamos que o nosso vizinho está muito pior, isso é muito difícil... quando os mal alheio se sobrepõe ao nosso, e eu que estava quase, quase a sentir-me feliz.... (esta sensação conheço muito bem, porque não envolve trabalho...).

Então que fazer? bom, eu acho que quem FAZ seja lá o que for, não é para andar prá aí com uma bandeira a dize aos quatro ventos, mas aqui vão alguns exemplos (poucos e modestos, assim como eu), só para comparares ao que TU fazes e veres se serve:
Mas digo contrariada, registe-se, porque não sou apologista deste tipo de "propaganda"...
Serve?
-Se quando tu sabes que um casal jovem do qual só conheces um dos cônjuges, com um filho, está a querer montar uma casa, luta com muitas dificuldades e tu ajudas?
-Se quando alguém, fora do teu âmbito familiar (sempre, claro, senão não conta) precisa de ajuda burocrática para resolver assuntos muito importantes e tu ajudas?
-Se tens amigos a passarem por fases muito complicadas em vários aspectos e tu estás LÁ?
-Se, na rua, supermercado,ou noutro sítio qualquer, tu percebes que o dinheiro que a pessoa tem não chega para tudo (falta pouquíssimo, note-se, senão eu tbém não dava!) e tu completas, assim,entre nós dois, sem ninguém perceber?
-Se o filho da alguém que está lá longe precisa de algo e para essa pessoa é difícil...e tu ajudas?
-E se alguém tem que ir a uma consulta médica e não pode pagar e tu pagas?

São coisas parcas, eu sei, mas pessoalmente fazem sentir-me bem comigo... e AINDA BEM QUE TENHO DINHEIRO, né?
Mas são feitas com carinho, consideração e apreço; com revolta pelas injustiças desta vida...

Depois vem a parte lamechas, que o dinheiro não compra: para além das que já referi, o respeito pelo meu semelhante ( mesmo quando os mando para o c... acredita que não me sinto nem superior, nem inferior... só me sinto no direito de expressar o meu sentimento).

O meu objectivo nesta vida é VIVER; manter-me sempre alerta, informada e usufruir do meu direito (por outros conquistado) á minha liberdade de expressão e ... RESPEITA-LO! não só porque outros muito lutaram para que eu os adquirisse, mas também porque os meus direitos acabam quando invado os alheis e sempre que eu visionar essa "linha", é porque não os estou a usar correctamente... (já "visionei" e não gostei).
Depois, é passar aquilo que aprendo aos meus filhos e aos dos outros, se eles me quiserem ouvir.
E fico muito orgulhosa quando um filho meu, endinheirado, a frequentar uma das melhores escolas do mundo na área que escolheu, se debate com alguém da tal escola em defesa da continuação ou não de uma amiga, igualmente ambiciosa, igualmente capaz, mas infelizmente com uma situação financeira mais precária...
Estou neste momento a invadir a privacidade alheia, ou seja, a da minha filha, mas outros valores se levantam...

Fico feliz por saber que ela assumiu as dores de alguém menos favorecido e tentou resolve-lo! Claro que não conseguiu, embora até tenha sido elogiada pela "coragem"... retirou-se, magoada, frustrada, mas sem antes sentenciar a com quem ela falou..." Deus queira que os seus filhos nunca se vejam nesta situação..."
Ficou chocada com o elitismo da escola, que é um prenúncio do Mundo...
Espero que ela não se esqueça NUNCA deste episódio... e sei que não vai desistir! Quem sabe se consegue?
De qualquer forma, constato que quando algém lhe disse "todo previlégio tem uma obrigação", ela registou e isso é bom, não é?

Bem, o meu depoimento vai longo e já contei mais do que queria.
Resumindo, vão sempre haver campos de golf, jactos particulares, condomínios privados e resorts luxuosos... e ainda bem! Assim pelo menos sabemos onde está o dinheiro e a quem nos devemos dirigir, quando quisermos consciencializar alguém para determinada situação!! Agora, a Forma como o fazemos... isso é que é muito importante!!!

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